Noel Rosa: LETRAS & músicas - escrita e estrelada por alunos do VIII período de Letras da FFSD - é uma peça que homenageia os 100 anos de nascimento do grande compositor brasileiro. Os números musicais - todos ao vivo - são abrilhantados pelo grupo Os Desafetos do Colírio, formado por professores, alunos e ex-alunos do Curso de História da mesma Faculdade.
Atendendo a pediddos, o espetáculo lítero-musical volta à cena na próxima quarta-feira, 24/11, às 19h30min, no Teatro Sania Cosmelli (Rua Monsenhor Miranda, s/n). A entrada é franca.
Veja algumas fotos da peça:
extensão_santadoroteia
Um espaço para todos que conhecem, conheceram ou querem conhecer a FFSD (Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia, de Nova Friburgo,RJ). Um espaço que, como a FFSD, estará sempre aberto às sugestões, aos comentários, à colaboração e participação de modo geral.
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domingo, 21 de novembro de 2010
Murais da FFSD
Aqui, você encontrará os textos dos murais da Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia.
Começando pelo mais recente, que lembra o Dia Nacional da Consciência Negra:
GRITO NEGRO (de José Craveirinha, poeta moçambicano)
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
O poema seguinte é da autoria de Nei Lopes, escritor e compositor brasileiro, no livro "Incursões sobre a Pele":
HISTÓRIA PARA NINAR CASSUL-BUANGA
Poema de Nei Lopes (com acompanhamento de marimbas)
Um dia, Cassul-Buanga, alguns chegaram:
A pólvora no peito, uma bússola nos olhos
E as caras inóspitas vestidas de papel
Vieram numa nau de velas caras,
Bordadas de cifrões.
Suas mãos eram de ferro
E falavam um dialeto
De medo e ignorância.
E fomos.
Amontoados, confundidos, fundidos, estupefatos
Nossas dignidades eram dadas mar atrás
Aos peixes.
Chegamos:
Nosso suor foi o doce sumo de suas canas
- nós bagaços.
Nosso sangue eram as gotas de seu café
- nós borras pretas.
Nossas carapinhas eram nuvens de algodão,
Brancas,
Como nossas negras dignidades
Dadas aos peixes.
Nossas mãos eram sua mão-de-obra.
Mas vivemos, Cassul. E cantamos um blues!
E na roda de samba
De roda
Dançamos.
Nossos corpos tensos
Nossos corpos densos
Venceram quase todas as competições.
Nossos poemas formaram um grande rio.
E amamos e nos demos.
E nos demos e amamos.
E de nós fez-se um mundo.
Hoje, Cassul, nossas mulheres
- os negros ventres de veludo –
Manufaturam, de paina, de faina
Os travesseiros
Onde nossos filhos,
Meninos como você, Cassul-Buanga,
Hão de sonhar um sonho tão bonito...
Porque Zâmbi mandou. E está escrito.
Um dia, Cassul-Buanga, alguns chegaram:
A pólvora no peito, uma bússola nos olhos
E as caras inóspitas vestidas de papel
Vieram numa nau de velas caras,
Bordadas de cifrões.
Suas mãos eram de ferro
E falavam um dialeto
De medo e ignorância.
E fomos.
Amontoados, confundidos, fundidos, estupefatos
Nossas dignidades eram dadas mar atrás
Aos peixes.
Chegamos:
Nosso suor foi o doce sumo de suas canas
- nós bagaços.
Nosso sangue eram as gotas de seu café
- nós borras pretas.
Nossas carapinhas eram nuvens de algodão,
Brancas,
Como nossas negras dignidades
Dadas aos peixes.
Nossas mãos eram sua mão-de-obra.
Mas vivemos, Cassul. E cantamos um blues!
E na roda de samba
De roda
Dançamos.
Nossos corpos tensos
Nossos corpos densos
Venceram quase todas as competições.
Nossos poemas formaram um grande rio.
E amamos e nos demos.
E nos demos e amamos.
E de nós fez-se um mundo.
Hoje, Cassul, nossas mulheres
- os negros ventres de veludo –
Manufaturam, de paina, de faina
Os travesseiros
Onde nossos filhos,
Meninos como você, Cassul-Buanga,
Hão de sonhar um sonho tão bonito...
Porque Zâmbi mandou. E está escrito.
Em seguida, um poema escrito por uma criança angolana:
POEMA DA CRIANÇA NEGRA
Quando eu nasci, era PRETO;
Quando cresci, era PRETO;
Quando pego sol, fico PRETO;
Quando sinto frio, continuo PRETO;
Quando estou assustado, também fico PRETO.
Quando estou doente, PRETO;
E, quando eu morrer, continuarei PRETO!
E você, cara BRANCO,
Quando nasce, você é ROSA;
Quando cresce, você é BRANCO;
Quando você pega sol, fica VERMELHO;
Quando sente frio, você fica ROXO;
Quando você se assusta fica AMARELO;
Quando está doente, fica VERDE;
Quando você morrer, você ficará CINZENTO.
E você vem me chamar de HOMEM DE COR??!!
http://pragentemiuda.blogspot.com/2010/06/poesia-de-uma-crianca-angolana.html
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
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